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No QG de Cabreúva, dois jovens candidatos a astros do pôquer

Rodrigo Crespo e Pedro Padilha trilham o caminho aberto por André Akkari em busca dos milhões

Publicado em Veja.com em 18/05/2013

Rodrigo Crespo se preparou durante toda a adolescência para acompanhar os negócios do pai, empresário de setor de tecnologia da informação. Classe média alta, preparou-se nos melhores colégios e entrou no curso de Economia da Fundação Getúlio Vargas, faculdade das mais conceituadas do ramo, para colaborar na gestão da empresa familiar - mas largou tudo para ser jogador de pôquer. Aos 23 anos, quatro deles integralmente dedicados ao esporte das cartas e fichas, ele não se arrepende. “Não penso em voltar à faculdade. Se estivesse lá hoje, não estaria feliz. Aqui tenho tudo que quero, estou no lugar perfeito.” Há dois meses é um dos moradores do centro de treinamento de pôquer criado pelo campeão mundial André Akkari em Cabreúva, no interior paulista.

Crespo é um dos jogadores prediletos de Akkari, juntamente com Pedro Padilha, de 26 anos: são seus principais parceiros, colaboram nas aulas e jogam os mesmos torneios que o chefe, com apostas e premiação mais altas. “O Padilha é um cara muito inteligente e constante, está sempre crescendo e jogando cada vez melhor. O Crespo é um gênio, pode ser muito melhor que eu, mas ainda precisa lidar melhor com o emocional”, avalia Akkari, enquanto observa a turma de jogadores durante exercícios físicos no campinho de futebol do QG.

Padilha joga desde 2005. Depois da curiosidade inicial, ganhou algum dinheiro jogando em tempo integral, mas depois voltou a trabalhar, como vendedor de planos de telefonia celular. “Quem ganha dinheiro vendendo isso consegue fazer qualquer coisa”, diz, aos risos. Há dois anos resolveu deixar o trabalho e juntar-se ao time de Akkari. Já venceu grandes torneios, faturou bons prêmios que fazem compensar a escolha. Duro foi explicar seu trabalho à família da noiva. “Eles sabem que trabalho duro aqui. Hoje, na verdade, desperta mais curiosidade, as pessoas querem entender como funciona, nossas técnicas.” E ainda sofre um pouco porque a namorada fica em São Paulo.

Em compensação, para Crespo a distância e o sossego de Cabreúva estão fazendo bem. Ele recuperou seu melhor nível de jogo, depois de um período atribulado no começo do ano, e aproveita a tranqüilidade para "trabalhar" a mente. “Este lugar é demais. Pratico meditação e é ótimo estar longe de tudo.” O pai, resignado, o apoia e hoje é seu principal torcedor - dos mais exigentes. “Ele sempre fez questão que eu fosse o melhor no que fizesse. E vou lutar para ser o melhor do mundo.”

Eduardo Biermann/Veja.com

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