Pular para o conteúdo principal

Vinte e cinco anos após aprontar contra o Palmeiras, Inter de Limeira corre atrás de grandeza perdida

Julia Chequer/R7
Equipe hoje está na terceira divisão paulista e sonha com retorno ao topo

Publicado no R7 em 03/09/2011

Há 25 anos, a Inter de Limeira conseguiu um feito histórico: foi o primeiro time de fora da capital, à exceção do Santos, a conquistar o Campeonato Paulista, com uma vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras, no Morumbi. Passado um quarto de século e um período de extrema decadência, com direito ao rebaixamento para a quarta divisão do Estadual, o time comemora o aniversário de sua maior conquista com um espírito de reconstrução, tentando voltar aos tempos em que jogar no Limeirão era um pesadelo para os grandes paulistas. 

Neste ano, a equipe disputou a Série A-3 do Paulista, no primeiro semestre, mas não conseguiu chegar à fase final para brigar pelo acesso. Atualmente, o time joga a Copa FPF, que dá ao campeão uma vaga na Copa do Brasil, mas fez uma campanha discreta porque, em vários jogos, atuou com o time sub-20. 

Enquanto isso, a equipe principal fazia uma excursão pela Europa, com o objetivo de apresentar seus jogadores. Foram amistosos contra os times B de Racing Santander, Sporting Gijón e Osasuna, além do time principal do Gimnastica Tarragona. 

O presidente Ailton Vicente de Oliveira, que assumiu o cargo em 2009, quando equipe havia sido rebaixada para a Segunda Divisão, que na prática é o quarto e último escalão do futebol paulista, explica que a negociação de jogadores é a principal forma de tocar a equipe de forma sustentável. 

- Nós encontramos a Inter na última divisão, e apresentamos um projeto para reestruturar as categorias de base. É preciso trabalhar os jovens jogadores para que isso dê um bom fruto e você possa manter o time profissional. Eu entendo que hoje é assim que deve funcionar. 

Advogado de formação, Oliveira diz que a Inter já conseguiu mandar três jogadores para a Europa, e um quarto, o meia Lucas, deve seguir em janeiro para o Racing Santander. Para ele, a paixão da torcida, conhecida como uma das mais fanáticas do interior paulista, deve ser levada em conta, mas não pode dar as cartas no trabalho. 

- É preciso tomar por base a paixão da cidade pelo clube, mas sem deixar de levar em conta a visão empresarial, que é o que vai manter o clube funcionando. 

A decadência - Após o título de 1986, conquistado sob o comando do técnico Pepe, a Inter viveu um sonho de grandeza. No mesmo ano de sua conquista, graças a um daqueles regulamentos bizarros do Brasileirão à época, conseguiu chegar à primeira divisão e terminar em 16º lugar, eliminado nas oitavas de final pelo São Paulo, que seria o campeão com o mesmo Pepe no comando. No ano seguinte, ficou em quinto no Paulistão, muito perto de disputar novamente as semifinais, e em 1988, ganhou a Série B do Brasileiro.

A decadência, no entanto, não demorou a aparecer. Em 1990, ano em que o Bragantino repetiu seu feito e foi campeão paulista numa “final caipira” contra o Novorizontino, a Inter caiu de novo pra a segunda divisão do Brasileiro, e nunca mais conseguiu voltar à elite. 

No Paulista, a equipe ainda se manteve na divisão principal até 1993, mas logo começou a alternar acessos e descensos até 2005, ano em que jogou na elite pela última vez. De lá para cá, foi só queda. Em 2009, o fundo do poço: o time ficou em 18º lugar na Série A-3 e teve de disputar em 2010 a Segunda Divisão, que, apesar do nome, na verdade é o quarto e último escalão do futebol paulista. 

Nesse campeonato, há limitação de idade - cada time pode ter no máximo três jogadores acima de 23 anos - e as equipes sofrem com adversários extracampo, como a falta de estrutura em muitos estádios e a inexperiência dos árbitros, que geralmente estão iniciando a carreira. 

Já sob o comando de Ailton Oliveira, a Inter ficou com o vice-campeonato, entre 46 times, e conseguiu escapar rapidamente do “inferno”. Neste ano, de volta à A-3, ficou muito perto de se classificar para a fase decisiva, mas sucumbiu a uma derrota para o Taubaté, na última rodada da etapa de classificação. 

De volta - O projeto é ambicioso: a diretoria quer voltar à Série A-2 para, em 2013, comemorar o aniversário do clube com o retorno à primeira divisão. Um dos jogadores mais experientes do elenco, o goleiro Marcão, de 36 anos, chegou à Inter no fim do ano passado e já absorveu bem a filosofia da casa Fala com desenvoltura sobre o projeto da diretoria e diz que não escolheu o clube à toa: pensa em se aposentar daqui a dois ou três anos e já se vê num bom lugar para começar a nova carreira. 

- Acho que posso ajudar a Inter a retornar a um lugar de honra no cenário, mas a Inter também pode me ajudar, por sua estrutura, a iniciar a carreira de treinador, que pretendo iniciar quando deixar os campos. 

O técnico Lelo, no cargo desde a segunda rodada do Paulista deste ano, tem seis acessos dede divisão no futebol paulista, e acredita que o time tem chance de alcançar a meta estipulada pelos dirigentes. 

- Ser campeão paulista de novo é muito difícil, já era naquele tempo e hoje muito mais. Mas voltar à primeira divisão, a Inter vai conseguir. Não sei se já em 2014 e se eu ainda serei o técnico, mas, com a estrutura que tem, é natural que a Inter consiga voltar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mogi das Cruzes investe R$ 8 milhões para receber os Jogos Abertos

Divulgação Hugo Hoyama estará entre os destaques dos Jogos Abertos, que começam nesta segunda-feira Publicado no R7 em 07/11/2011 Uma semana depois dos Jogos Pan-Americanos, a cidade de Mogi das Cruzes recebe, a partir desta segunda-feira (7), uma versão em escala reduzida da competição: os Jogos Abertos do Interior, que movimentarão 15 mil atletas, de 226 cidades, em 25 modalidades diferentes. Entre eles estarão alguns nomes de peso, como o enxadrista Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, que esteve entre os melhores do mundo na década de 1970, e o mesa-tenista Hugo Hoyama, dono de 10 medalhas de ouros em Jogos Pan-Americanos – a última delas neste ano, em Guadalajara, na competição por equipes. A cidade, que tem cerca de 400 mil habitantes, gastou R$ 8 milhões para organizar o evento, que existe desde a década de 1930. Parte do dinheiro, cerca de R$ 3 milhões, foi usado na construção de dois ginásios de pequeno porte, que foram construídos ao lado de escolas municipais ...

Trapalhada na Europa transforma Dante em boa opção para Mano

Christof Stache/AFP Zagueiro quase jogou pela Bélgica, e torce para ser lembrado pelo técnico da seleção brasileira Publicada no R7 em 09/08/2011 Desconhecido no Brasil, o zagueiro Dante faz sucesso na Alemanha, com a camisa do Borussia Moenchengladbach, e espera um dia repetir o feito do compatriota Luiz Gustavo, que nesta quarta-feira (10) pode fazer sua estreia pela seleção brasileira no amistoso contra a Alemanha, em Stuttgart.  Aos 27 anos, ele vive na Europa desde 2004, quando deixou o Juventude, que à época ainda estava na Série A do Brasileiro, para jogar no Lille, da França. Depois de dois anos, foi para a Bélgica, onde se destacou no modesto Charleroi e se transferiu para o Standard Liège, um dos principais clubes do país. Depois de uma trapalhada na hora de se tornar belga, ele aparece como boa opção para Mano Menezes. No meio do processo para se naturalizar, à espera de uma chance na seleção da Bélgica, ele deixou o país e foi jogar no Borussia Moen...