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Um brasileiro quer brilhar no futebol dos EUA – como cartola

Foto: Divulgação
Flávio Augusto dos Reis, dono de franquia de escolas de inglês, planeja investir mais de 100 milhões de dólares para transformar o Orlando City no “time americano de todos os brasileiros”

(Não foi publicado. Feito para Veja.com no fim de maio de 2013.)

O futebol finalmente parece que vai emplacar nos Estados Unidos. A criação recente do New York FC, uma sociedade entre os bilionários Manchester City e New York Yankees (do beisebol) foi só uma amostra da crescente pujança do esporte, que, se ainda não é popular como o futebol americano, já atrai públicos superiores ao do Brasileirão (foram 18.000 torcedores por jogo em média em 2012, contra 12.000 nos estádios do dito “país do futebol”) e tomou do Oriente Médio o posto de destino preferido dos jogadores prestes a encerrar a carreira – Thierry Henry e o brasileiro Juninho Pernambucano são apenas dois dos casos mais recentes.

De olho nesse mercado promissor, o empresário brasileiro Flávio Augusto dos Reis quer brilhar – como cartola. Ele comprou recente o Orlando City, que disputa a USL Pro, espécie de terceiro divisão do futebol local, que não conta com sistema de acesso e descenso. Ele promete investir cerca de 110 milhões de dólares para colocar seu time na MLS, a principal liga norte-americana, a partir de 2015. “Queremos ser o time americano de todos os brasileiros. E queremos ser parte do roteiro turístico d os turistas brasileiros que passam pela Flórida, que são 1,5 milhão de pessoas por ano”, afirma o empresário. Criador e sócio da franquia de escolas de inglês Wise Up, ele conta que, para investimento, o mercado nos Estados Unidos é melhor do que o brasileiro.

“O futebol nos Estados Unidos ainda está engatinhando, longe de ter uma maturidade como negócio, e com um potencial de crescimento muito grande e um dos favoritos das crianças e adolescentes. São 24 milhões de praticantes de 5 a 17 anos, o que já o faz ser o esporte mais praticado do país. É um esporte simples, que não exige grandes investimentos, porque a bola e as chuteiras são baratas. E qualquer pessoa pode praticar, ao contrário do basquete, que exige jogadores altos”, explica Reis, que se armou de pesquisas feitas por diversos institutos para bolar o investimento. Valeu-se também da experiência que teve há cerca de 15 anos, quando passou uma temporada no país, para estudar, e percebeu como o esporte é importante na rotina americana. “O futebol, assim como outros esportes, é parte da formação do caráter das crianças: disciplina, relacionamento interpessoal, vida saudável. E também é um investimento, já que pode render uma bolsa de estudo que vai bancar a faculdade toda.”

Reis se prepara agora para hospedar o Fluminense durante uma temporada de treinos que o clube fará durante a pausa do Campeonato Brasileiro para a Copa das Confederações – além de treinar, o atual campeão nacional fará um amistoso com o Orlando no Citrus Bowl, estádio que vem sendo utilizado pelo clube enquanto não é começa o principal investimento do clube: a construção de uma nova arena, menor e mais moderna, com prazo de entrega para meados de 2015. “O Citrus Bowl é um estádio antigo, construído para futebol americano, muito grande, e não temos público para enchê-lo. Queremos um estádio menor, com cerca de 25.000 lugares, espaços para lojas, restaurantes, para dar a experiência completa de entretenimento ao torcedor, como se faz nos Estados Unidos com os outros esportes”, diz o brasileiro. Para a atual temporada, o clube conseguiu vender 5.000 carnês de ingressos, mas a média de público tem beirado os 8.500 pagantes.

E por que investir nos Estados Unidos e não no Brasil? Flávio dos Reis tem a resposta na ponta da língua. “Aqui eu posso ser o dono e tomar as decisões, no Brasil não dá, os clubes não têm um dono, é preciso passar por conselhos, as decisões são lentas. Sim, é possível criar um clube do zero, como fizeram como o Audax, mas como esse time vai ter torcida? Como todo o respeito, mas você conhece alguém que torce para o Audax? É um mercado complicado. Nos Estados Unidos a coisa ainda está em aberto, sabe-se que há potencial, mas não sabemos até onde se pode chegar. É uma aposta, e acho que tem tudo para dar certo.

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