Cerca de 40 pessoas se reuniram na manhã deste sábado para o mutirão que teve jardinagem e pintura de paredes
Publicado no Globoesporte.com em 06/01/2013
Incontáveis poetas, escritores e músicos já escreveram definições sobre o amor. Mas, na manhã deste sábado, em Sorocaba, torcedores do São Bento, que disputa a Série A3 do Campeonato Paulista, deram uma prova concreta do que é o sentimento: desafiaram a preguiça do fim de semana e o forte sol para ajudar na reta final da primeira parte das obras do Centro de Treinamento do clube.
Com enxadas, rastelos, carrinhos de mão, rolos de pintura e até um cortador de grama, cerca de 40 pessoas deram uma força para deixar o local pronto - a ideia é que o São Bento possa treinar lá em no máximo duas semanas.
O clube não gastou um centavo, como vem sendo desde o início das obras, bancada pela Associação Vamos Subir, Bento!, formada por torcedores. As despesas com material foram todas bancadas pelos colaboradores, assim como a mão de obra.
Mão de obra, em alguns casos, profissional: Danilo Augusto, pintor de 25 anos, mais de dez anos de experiência no ramo, tirou o dia para trabalhar de graça em prol de seu time do coração.
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- O povo de Sorocaba tem que acompanhar o São Bento, é o time de tradição da cidade, e a gente faz o que pode para ajudar. Vamos torcer para que consiga voltar logo à elite - disse, enquanto pintava as paredes externas do vestiário.
O CT fica no terreno que antigamente era ocupado pelo estádio Humberto Reale, o primeiro a receber jogos do São Bento na elite do futebol paulista, em 1963. As arquibancadas já foram demolidas há alguns anos e o campo ainda está cru, sem pintura e bastante desalinhado, mas só a entrada já emocionou o jornalista José Carlos Rodrigues, de 50 anos, que trocou o boteco pelo rastelo de jardinagem.
- Rapaz, a primeira vez que eu fui num jogo de futebol foi aqui, em 1968 ou 1969, contra o Corinthians do Rivellino. Era duro ganhar do São Bento aqui, os grandes sofriam, vim ver jogos de todos e fiquei emocionado. É bom ajudar, é uma causa justa, pra quem ia acordar e tomar uma cervejinha, não custa nada vir aqui um pouco, também é diversão - explicou, para depois admitir que nunca tinha usado uma ferramenta de jardinagem.
Gente de todas as idades apareceu para colaborar. Gustavo Rostelato, de 15 anos, disse que está acostumado a ajudar o pai na jardinagem, e não teve medo de encarar a enxada em nome do amor pelo São Bento.
- Valer a pena, né? É uma coisa prazerosa, você está se divertindo e ajudando o clube que ama - contou o garoto, enquanto tirava o mato do caminho de entrada do clube.
As obras devem continuar durante a semana, agora com profissionais pagos, e a ideia é entregar o CT ao clube antes da estreia na Série A3 do Paulista, que está marcada para o dia 26, contra o Joseense, em São José dos Campos.
O presidente da ASVB, William Alves, ficou muito feliz com o envolvimento dos torcedores, ainda que só metade das 80 pessoas que confirmaram presença numa rede social tenham participado.
- A gente sabe que é assim, o importante é que o clima ajudou, não choveu, e a gente pôde juntar a torcida e fazer bastante coisa.
E haja trabalho. A parede do corredor de entrada, com mais de 4 metros de altura e 15 metros de comprimento, era bravamente "enfrentada" por uma série de pintores. Um deles era a professora universitária Bianca Nóbrega, de 31 anos, que nunca tinha pintado nada na vida.
- Nem sei se estou fazendo certo, o importante é tentar ajudar e manifestar o amor pelo Bentão. Sou a única que gosta de futebol em casa, o pessoal fica tirando sarro, mas eu nem ligo - contou.
- Mas não vão tirar sarro quando você aparecer na internet pintando o muro? - perguntou o repórter.
- Claro que vão. Mas não tem problema, pelo Bentão vale tudo!
Vale até encarar a estrada, como fez o funcionário público Cláudio Pereira, que mora em Piedade, cidade a cerca de 30 km de Sorocaba. Figura frequente em todos os jogos do São Bento, inclusive fora de casa, a distância para ele é só um detalhe.
- A gente sabe que isso aqui é uma coisa simbólica, mas o objetivo é esse mesmo, causar impacto. Hoje temos cerca de 40 pessoas, possivelmente tenhamos mais numa próxima oportunidade. O importante é elevar o nome do São Bento, sempre.
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