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Curling diverte, mas é mais difícil do que parece

Divulgação
Esporte exige condicionamento; pista em São Paulo está montada até o dia 22

Publicado no R7 em 13/08/2010

O curling virou sensação durante a Olimpíada de Inverno de Vancouver, realizada em fevereiro deste ano, e agora os brasileiros ganharam uma chance de praticar o esporte numa pista que foi montada no Shopping Eldorado, na zona oeste de São Paulo.

Este repórter, que virou fã enquanto acompanhava os jogos aqui na redação do R7, teve a chance de praticar um pouco, e pode atestar: é bem divertido. Mas não vá pensar que é fácil, não. Para jogar curling é preciso ter equilíbrio, coordenação motora e algum condicionamento físico. Ou seja: se você estiver fora de forma, sedentário e acima do peso (eufemismo para gordo), como eu, é bom tomar cuidado para não pagar mico.

Como bom filho do interior paulista, cresci assistindo a animadíssimos jogos de bocha, e na primeira vez que vi o curling, nos Jogos de Inverno de Salt Lake City-2002, logo relacionei os dois esportes. A dinâmica de fato é parecida, mas o gelo faz uma diferença danada.

Minha "professora" foi a norueguesa Linn Githmark, campeã mundial júnior com a seleção do seu país em 2004 e convidada pela empresa que montou a pista para ajudar os brasileiros a dar os primeiros passos no curling. Como equipamento, apenas uma palmilha com a sola de teflon para que eu colocasse sob o pé de apoio, para ajudar a escorregar na pista de gelo.

Tiro e queda - Os primeiros passos sobre o gelo, antes mesmo de começar, já foram seguidos de um escorregão. O movimento para o lançamento da pedra parece simples: o primeiro passo é agachar; depois, erguer a coluna e manter a pedra dobrada; em seguida, usar o pé de apoio para escorregar e lançar a pedra.

Repeti os movimentos da "mestra", primeiro sem a pedra, para me acostumar. Só que não deu muito certo: depois de deslizar alguns metros de forma atrapalhada, tentei me levantar, escorreguei e caí "de boca". Não cheguei a me machucar, porque consegui apoiar as mãos antes, mas deu para ficar com os joelhos doloridos e a barriga molhada pelo gelo.

Tentei de novo, agora com a pedra. Bem mais pesada do que parece, ela é feita de granito, pesa cerca de 19 kg e é preciso atirá-la com uma certa tática para colocá-la no lugar certo. Deslizei um pouco, usei uma força que me parecia razoável e... ela parou no meio da pista, muito longe do alvo.

(Em tempo: uma pista oficial de curling, como a usada nos Jogos Olímpicos, mede 43 m. A que está aqui em São Paulo é uma réplica em escala reduzida, com cerca de 20 m. Ou seja, numa Olimpíada, meu arremesso seria motivo de piada.)

Ao levantar, um novo escorregão, outro tombo, de novo a barriga no gelo. Risos de Linn Githmark, hoje com 28 anos, praticante do esporte desde os nove. Na terceira tentativa, consegui deslizar um pouco mais e jogar a pedra perto do alvo, um lance que poderia até render um ponto num jogo oficial. E não escorreguei. Tentei mais algumas vezes e, safisfeito, com o olhar aprovador e um "very good" ("muito bem") da professora, resolvi encerrar "por cima" minha primeira experiência no curling. 

Pensei comigo mesmo que os tiozinhos da bocha não pareciam precisar de tanto condicionamento físico, e brinquei com Linn que jogar curling é muito mais difícil do que parece. Comentei também que poderia até ser bom para emagrecer, mas ela logo acabou com minhas esperanças.

- É normal os jogadores saírem muito cansados dos jogos, transpirarem bastante, apesar do frio. Mas, para emagrecer, acho melhor você tentar uma academia...

Se você quiser arriscar, a pista de curling fica no segundo subsolo do Shopping Eldorado, que fica na Av. Rebouças, 3.970 - Pinheiros. Mulheres podem jogar de graça, e os homens pagam R$ 10 por uma partida de cerca de meia hora, com ajuda de Linn e de outros instrutores, alguns deles do Canadá - país com grande tradição no esporte. O dinheiro será doado para uma instituição beneficente que atende vítimas de doenças de pele.

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